Sorrir é Viver: projeto pioneiro recebe apoio da HD

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Para os estudantes da Faculdade de Medicina do ABC, sorrir é um ótimo remédio. Desde 2005, os médicos em formação nessa instituição estão engajados em um projeto pioneiro no Brasil – o Sorrir é Viver, que promove a humanização da Medicina espalhando alegria e conforto a pacientes de todas as idades em hospitais públicos da Grande São Paulo. O Sorrir é Viver, que agora conta com o patrocínio da Home Doctor, teve como inspiração o trabalho bem-sucedido dos Doutores da Alegria e as pesquisas e ideais do médico norte-americano Dr. Hunter “Patch” Adams sobre os benefícios da humanização hospitalar.

O projeto começou a ser estruturado em 2002, mas somente três anos depois foi possível começar a capacitar os alunos por meio do curso implantado pelo ator formado em arte clown (arte do palhaço) Antonio Correa Neto. Até 2012, ele foi o responsável pela direção artística do Sorrir é Viver, que hoje tem novos professores e outras duas vertentes – os Contadores de História e os Musicantes.

Além de primeira Faculdade de Medicina do país a trabalhar com a arte clown, a FMABC é pioneira na implantação de um curso especialmente desenvolvido para isso, a Disciplina Eletiva de Humanização. “Acabamos por nos tornar uma referência. Diante do interesse de outras faculdades, surgiu o Congresso Medicina, Cultura e Arte, que já está em sua 7ª edição. Foi realizado primeiramente em São Paulo, mas agora já é organizado em estados como Pernambuco e Ceará”, informa Caroline Rethe, estudante do 4º ano de Medicina e responsável pela área de Apoio e Parceria do Sorrir é Viver.

A partir do segundo ano, os estudantes interessados podem se inscrever. Eles passam por um processo seletivo para admissão no curso especializado na formação de palhaços. Os aprovados têm de conciliar a intensa rotina de estudos com as visitas aos pacientes. Todas as segundas-feiras, eles dedicam 3 horas de seu tempo para aprender a utilizar a arte lúdica como ferramenta de qualificação profissional e transformação do ambiente hospitalar. “O objetivo é melhorar a formação médica, tornar o profissional mais humano”, destaca Caroline.

Ela conta que a experiência tem sido transformadora. “Lidamos com o medo e a fragilidade dos pacientes. Levar alegria, dar atenção, conforto é um grande aprendizado e nos emocionamos todos os dias”, afirma.

Valores e ideais – Atualmente, a coordenação geral do Sorrir é Viver tem 15 membros e está organizada em diretorias como Financeiro, Desenvolvimento de Novos Projetos, Logística e Apoio e Parceria.“O apoio da Home Doctor é muito importante. Somos parceiros em valores e ideais. Condutas como cuidados paliativos, por exemplo, têm tudo a ver com o nosso trabalho”, destaca a diretora da ONG.

Os apoios e as parcerias, além da comercialização de camisetas, cadernos e canetas entre outros itens, permitem uma atuação diária nos hospitais Mário Covas, Anchieta e Maria Braido e, também, no Centro Hospitalar de Santo André e no ambulatório da Faculdade de Medicina do ABC. Os estudantes palhaços, contadores de história e musicantes percorrem todas as clínicas, adaptando seu repertório de acordo com a idade do paciente, seu diagnóstico e estado psicológico.

As crianças requerem maior energia física e artifícios diferentes de motivação e divertimento.“Já os adultos, em sua maioria, não querem saber de brincadeiras. Eles querem conversar, porque muitas vezes a família não pode visitá-los, e querem dividir suas angústias ou contar como foi o seu dia. É muito importante saber seus nomes e dar toda a atenção de que eles precisam”, conta Caroline. Os integrantes do Sorrir é Viver também participam gratuitamente de feiras e outros eventos da área da Saúde, onde aproveitam para divulgar o projeto e vender seus produtos.