Nem só de artes plásticas ou de antiguidades históricas se resumem os museus em funcionamento no Brasil e no mundo. Em meio a milhares de acervos referentes aos mais diversos temas – o Guia dos Museus Brasileiros reserva um capítulo exclusivo dedicado à Medicina, com espaços abertos à visitação em várias cidades. Quem é da área ou se interessa pelo tema pode iniciar um roteiro especial pela cidade de São Paulo, conhecendo o Museu Histórico Professor Carlos da Silva Lacaz, da Faculdade de Medicina da USP (www2.fm.usp.br/museu/). Criado em 1977, a instituição leva o nome do médico-fundador da faculdade e reúne documentos e objetos desde o século 19 – entre eles, microscópios, transfusores, seringas e autoclaves.

Em seu acervo, estão, por exemplo, equipamentos construídos no Hospital das Clínicas, como a primeira máquina coração-pulmão artificial, de 1958, e o primeiro marca-passo, da década de 1960. Ainda na cidade de São Paulo, a Associação Paulista de Medicina também mantém um museu (apm.org.br/museu-da-medicina.aspx), com uma coleção de cerca de mil peças, incluindo livros raros, painéis com a história da medicina e equipamentos como um microscópio binocular Leitz, fabricado na Alemanha antes da Segunda Guerra Mundial.

No Sul do país, em Porto Alegre, uma das opções é o Museu da História da Medicina do Rio Grande do Sul (Muhm) – www.muhm.org.br –, criado pelo Sindicato Médico do estado (Simers) em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). São mais de 2.500 objetos e cerca de 5 mil livros, periódicos e catálogos que mostram a evolução nas várias formas de tratar as doenças ao longo dos anos. Uma das curiosidades é a máscara de Ombredanne, usada na primeira metade do século 20 para anestesiar pacientes pela inalação de éter. Para dar suporte e promover a troca de experiências entre as várias instituições desse tipo, o Simers liderou o projeto para a criação da Rede Brasileira de Museus de Medicina, apoiada pela Federação Nacional dos Médicos. Para participar da Rede, basta realizar um cadastro gratuito no site www.redemuseusmedicina.org.br e informar dados básicos de localização, agenda de visitas, histórico e acervo.

O Museu da Vida (www.museudavida.fiocruz.br), localizado no Rio de Janeiro e vinculado à Fundação Oswaldo Cruz, está entre os cadastrados. O local, que recebe visitas anuais de 200 mil pessoas, se propõe a divulgar a história da saúde brasileira e os impactos do progresso científico no cotidiano por meio de exposições permanentes e atividades interativas. Documentos, fotos e objetos pessoais estão reunidos nas salas onde funcionavam o laboratório e o escritório do sanitarista Oswaldo Cruz, pioneiro no estudo de doenças tropicais. Uma das exposições que podem ser visitadas é o Parque da Ciência, instalado numa área aberta de 2.400 metros quadrados, onde é possível “escalar” uma célula gigante e entender o funcionamento do olho humano.

Pelo mundo – Além dos espaços no Brasil, é possível incluir interessantes museus de medicina e saúde nos roteiros de viagens internacionais. Em Chicago, nos Estados Unidos, funciona o Museu Internacional da Ciência Cirúrgica (www.imss.org). Numa mansão de 1917, o acervo é organizado de acordo com as especialidades médicas. Entre as várias curiosidades, estão crânios de diferentes períodos com sinais de calcificação pós-perfuração, indicando que, na Antiguidade, para aliviar a pressão que causava dores de cabeça, era realizada uma perfuração na caixa craniana. Em Washington, também nos Estados Unidos, está o Museu Nacional de Saúde e Medicina, que apresenta várias exposições simultâneas – permanentes e temporárias. A instituição reúne documentos que mostram a prática da medicina desde a guerra civil americana até a estrutura hospitalar montada pela Força Aérea Americana no Iraque.

Na Europa, a cidade de Londres concentra vários museus temáticos de medicina, agrupados pela instituição Museums of Health and medicine, uma estrutura semelhante à da Rede Brasileira de Museus de Medicina. No site www.medicalmuseums.org, é possível conferir a programação e agendar visitas a 24 centros de exposições. Um deles é o The Old Operating Theatre Museum (www.thegarret.org.uk), um anfiteatro utilizado no século 19 por estudantes que quisessem companhar procedimentos cirúrgicos. Outro é o The Anaesthesia Heritage Centre (www.aagbi.org), com mais de 2 mil objetos e documentos reunidos pela Associação de Anestesistas da Grã-Bretanha e da Irlanda.

O roteiro europeu inclui instituições em Paris, França, e no Porto, em Portugal. Na capital francesa, funciona o Museu da História da Medicina (www.biusante.parisdescartes.fr/), instalado no segundo andar da sede da Universidade Paris Descartes. Entre instrumentos, gravuras e fotografias, destaque para o estojo de homeopatia do Dr. Paul Gachet, médico do impressionista Van Gogh, que dedicou a ele uma tela hoje exposta no Museu D´Orsay. Em Portugal, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto mantém o Museu de História da Medicina Maximiano Lemos (www.museumaximianolemos.med.up.pt), aluno e depois diretor dessa faculdade. Em oito salas, é apresentada a evolução da medicina desde a pré-história.

Instrumentos, documentos e objetos, além de uma vasta biblioteca, compõem o acervo do lugar. No roteiro internacional, também vale uma visita ao The Cape Medical Museum (www.cmmuseum.co.za), em Cape Town, na África do Sul. No local, foram reproduzidos ambientes reais que simulam um consultório médico de 1900, além de um quarto de um hospital e um anfiteatro para a realização de cirurgias.