Da infância humilde no interior de Santa Catarina a uma carreira de sucesso na área financeira, Genésio João Raitz acumulou muitas histórias ao longo de oito décadas. Nem mesmo o diagnóstico de ELA (esclerose lateral amiotrófica) , que lhe foi tirando gradativamente os movimentos, diminuiu seu ânimo diante da vida. Muitas dessas histórias estão relatadas no livro “Lembranças – Relatos autobiográficos”, lançado quando ele comemorou seu 80º aniversário.

“Os filhos e os sobrinhos pediam que ele registrasse várias passagens de sua vida”, diz sua esposa Eva, com quem está casado há mais de 50 anos. Como a doença agora o impede de falar, é ela quem conta como foi o seu esforço, durante dois anos, para escrever o livro de 125 páginas. “Ele já estava em cadeira de rodas, mas ainda assim ia ao computador para escrever.”

Nascido na cidade catarinense de São João Batista, em 26 de maio de 1935, de família alemã, Genésio foi seminarista, estudou filosofia em Turim, na Itália, e teologia em Washington, nos Estados Unidos. Dois anos antes de se ordenar padre, concluiu que sua vocação era outra. Casou com Eva e tiveram cinco filhos: Sérgio, Cristina, Ricardo, Fábio e Flávia.

Na vida profissional, foi intérprete e professor de Português e Inglês, e fez carreira na área financeira, trabalhando em vários bancos. Aposentado, quando estava em Natal, no Rio Grande do Norte, numa viagem para comemorar os 40 anos de casado, começou a sentir os primeiros sintomas da doença.

Durante três anos, o diagnóstico foi o de problemas na coluna. Chegou até a ser operado, antes que novos exames revelassem que tinha ELA. “Mesmo com as limitações da doença, ele continuava animado, ativo, dando ordens”, lembra Eva. O livro traz relatos e fotos sobre vários momentos da vida de Genésio, que hoje está 82 anos. “É uma lembrança bonita para nossos filhos e nossos quatro netos”, resume Eva, que é enfermeira e continua sempre ao lado de Genésio. “Não deixo que ele fique sozinho.”