Campanha de combate ao diabetes conscientiza população em 14 de novembro

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De um lado, cresce o número de brasileiros obesos – em 10 anos, esse índice passou de 11,8% para 18, 9% da população. De outro, aumenta a proporção de pessoas diagnosticadas com diabetes no país: em 2006, eram 5,5%, hoje são 8,9%. Essa é a realidade revelada pela pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada pelo Ministério da Saúde, em 2016, com 53,2 mil pessoas maiores de 18 anos, em todas as capitais brasileiras.

Ao mesmo tempo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vem detectando o aumento da população de idosos – o índice de pessoas com 60 anos ou mais era de 14,3% em 2015, quase cinco pontos percentuais acima dos números de 2005.

“Já é bem conhecida a relação entre o crescimento da obesidade, o envelhecimento da população e o aumento da prevalência do diabetes tipo 2 ”, afirma a dra. Bianca de Almeida Pititto, professora de epidemiologia da Escola Paulista de Medicina, orientadora de pós-graduação em Endocrinologia e vice-coordenadora da área de Epidemiologia da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Para conscientizar a população sobre a doença o IDF (Internacional Diabetes Federation) em conjunto com a OMS (Organização Mundial da Saúde) criou uma campanha mundial de combate ao diabetes para que anualmente o tema seja lembrado e debatido no dia 14 de novembro. No Brasil, diversas ações e atividades estão previstas para acontecer ao longo do dia em diferentes cidades. https://www.endocrino.org.br/dia-mundial-do-diabetes-2017/.

O que é e por que ocorre

Diabetes é a elevação da glicose no sangue, a chamada hiperglicemia. Ela se desenvolve quando o corpo não produz ou não consegue empregar adequadamente a insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas, que controla a quantidade de glicose no sangue. O corpo precisa desse hormônio para utilizar a glicose, obtida por meio dos alimentos, como fonte de energia.

São dois os principais tipos de diabetes: o tipo 1 atinge normalmente crianças e jovens. “É uma falência do pâncreas”, resume dra. Bianca. Por isso, esses pacientes precisam da insulina em seu dia a dia a partir do momento em que descobrem a doença.

Já o tipo 2, que representa 90% dos casos, tem como causa de base o comprometimento da ação da insulina, a chamada “resistência à insulina”. O controle se dá com medicamentos. O uso da insulina é necessário mais tardiamente com a progressão da doença.

O tipo 2 tem como fatores de risco principalmente o excesso de peso e a obesidade, o aumento da idade, o sedentarismo e o histórico familiar. Segundo a especialista, as pesquisas comprovam o maior número de casos com o aumento da idade. De acordo com a Vigitel 2016, a prevalência de diabetes entre as pessoas com 35 a 44 anos é de 5,2%, passando para 27% na faixa dos 65 anos ou mais. A pesquisa revela, ainda, que os índices de diabetes e de obesidade são maiores entre as pessoas com menor escolaridade.

Consequências

Num ataque silencioso – os sintomas demoram a aparecer –, o diabetes, quando não tratado, pode causar complicações de três tipos:

  • Microvasculares, que são alterações na visão e na função dos rins.
  • Macrovasculares, as alterações arteriais de membros inferiores, o acidente vascular cerebral (AVC) e o infarto agudo do miocárdio. “Entre os pacientes com diabetes, o infarto agudo do miocárdio é a maior causa de mortes”, observa dra. Bianca.
  • Neuropatias, que são perdas de sensibilidade ou dores no membros inferiores e mãos, além de alterações denominadas neuropatias autonômicas que levam, dentre outras, a alterações gastrointestinais e de controle da urina.

“Estudos em populações brasileiras mostram um dado alarmante: cerca de 50% das pessoas diagnosticadas com diabetes nesses estudos não sabiam que tinham a doença. É uma pena esse atraso no diagnóstico. Quando detectado em estágio inicial, tanto no tipo 1 como no tipo 2, é possível fazer o controle do diabetes. Juntamente com os cuidados com a pressão arterial e os níveis de colesterol, podemos prevenir as complicações da doença por muitos anos”, destaca a médica.

 

Prevenção e tratamentos

As mesmas medidas tomadas para a prevenção também são adotadas para o controle do diabetes. A começar pela dieta alimentar e pela manutenção do peso adequado. “É preciso manter uma alimentação saudável, incluindo fibras, o principal nutriente que previne o diabetes, presente em verduras, legumes, frutas e alimentos integrais”, orienta a médica.

A atividade física é outro hábito importante para evitar ou controlar a doença. De acordo com a especialista, estudos feitos com pessoas de risco – com excesso de peso, acima de 45 anos e com taxas alteradas de glicemia, o pré-diabetes – comprovam que perder de 5% a 7% do peso, mesmo sem atingir o peso ideal, e manter 150 minutos semanais de atividade física, com uma dieta rica em fibras, são medidas capazes de prevenir ou retardar o aparecimento do diabetes em 58% dos casos.

“Outros estudos também envolvendo pessoas de risco, mostrou que a mudança no estilo de vida é mais efetiva do que medicamentos para prevenir o diabetes tipo 2”, destaca.

No caso do diabetes tipo 2 já diagnosticado, segundo dra. Bianca, é preciso utilizar medicamentos para o controle da glicemia no sangue. Outros pacientes podem precisar de insulina, caso o pâncreas não esteja mais produzindo a substância de forma suficiente. “Nos pacientes com diabetes do tipo 1, o uso da insulina é necessário desde o diagnóstico. Nas pessoas com o tipo 2, o uso da insulina é uma evolução da doença”, explica.

 

Home Doctor incentiva a qualidade de vida

Ciente de que a atividade física regular é fundamental para ajudar a prevenir doenças, entre elas o diabetes, a Home Doctor oferece uma academia para os colaboradores da Unidade São Paulo. Antes ou depois do trabalho, eles podem frequentar gratuitamente o espaço e ainda contam com a orientação de um personal trainer. Cerca de 30% dos colaboradores aproveitam esse benefício regularmente.

Outro incentivo à prática esportiva e ao abandono do sedentarismo é o patrocínio da inscrição em maratonas e corridas de revezamento. A empresa ainda reformou o restaurante e trocou o fornecedor, que foi escolhido com base em critérios de qualidade e cardápio balanceado.