Uma em cada seis pessoas terão acidente vascular cerebral (AVC) durante a vida. A previsão é da Rede Brasil AVC, organização não governamental criada para melhorar a assistência global ao paciente de acidente vascular cerebral em todo o país. Segundo a ONG, a cada ano acontecem 17 milhões de casos e 6,5 milhões de mortes por AVC no mundo, o equivalente a um óbito a cada seis segundos. Essa é a principal causa de incapacitação no mundo e uma das doenças que mais matam no Brasil. Em 2015, de acordo com o Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde, 100 mil pessoas perderam a vida por AVC.

Ainda assim, o AVC ainda é pouco conhecido e as pessoas não sabem reconhecer os sintomas nem o que fazer diante do quadro. O problema é mais frequente entre os homens e pessoas acima dos 60 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade.

Entre mulheres, a incidência da doença é menor porque o estrogênio natural (o hormônio feminino) reduz o risco de formação de coágulos, além de favorecer o aumento das taxas do chamado bom colesterol. Mas, após a menopausa, com a queda de estrogênio, a chance de ocorrência do AVC passa a ser igual em ambos os sexos.

Fatores de risco

Apesar de grave e com riscos de sequelas, a doença pode ser evitada com cuidados relativamente simples. “Os fatores de risco para o AVC – pressão alta, diabetes, dislipidemias (colesterol e triglicérides elevados), arritmias cardíacas, doenças tromboembólicas (que causam alteração da coagulação sanguínea) – são os mesmos que podem causar infarto agudo do miocárdio. Então, quando cuidamos da pressão, controlamos o peso, a glicemia, o colesterol, adquirimos bons hábitos alimentares e fazemos atividade física, estamos prevenindo tanto o AVC como o infarto, entre outros problemas”, explica o gestor médico da Home Doctor, Dr. Hyun Seung Yoon.

O médico alerta que os cuidados gerais com a saúde devem começar desde cedo, com estímulo a uma alimentação mais saudável e incentivo à prática de atividades físicas. “A idade em que acontecem os danos vasculares mais importantes está se antecipando. Isso é decorrente do padrão alimentar e do sedentarismo”, observa Dr. Yoon. “Há algumas décadas praticamente não existiam obesidade infantil e crianças com problemas de colesterol. Hoje, isso é cada vez mais comum. Não há problema em jogar no celular ou no computador, desde que também a criança calce o tênis e vá brincar ou jogar bola”, aconselha, observando que no futuro, cada vez mais, as mortes estarão relacionadas aos hábitos alimentares e ao estilo de vida do paciente.

 

Entenda melhor

Segundo o Dr. Yoon, existem dois tipos de AVC cujos mecanismos são diferentes:

  • Isquêmico – É o entupimento de um vaso que leva sangue ao cérebro, o que impede a passagem do oxigênio para os neurônios causando sua morte. Cerca de 85% dos casos de AVC são isquêmicos, segundo a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares.
  • Hemorrágico – É o rompimento não traumático de um vaso sanguíneo, causando sangramento e aumento de pressão dentro do crânio. Em geral é decorrente de malformações vasculares congênitas (presentes desde o nascimento), principalmente aneurismas cerebrais.

 Como reconhecer

No caso do tipo isquêmico, os sintomas podem ser muito sutis. “Uma pessoa pode sofrer micro AVCs ao longo da vida e não perceber. Chamamos de microinfarto cerebral. Só no longo prazo vai apresentar uma perda de memória e de atenção mais acentuada do que se esperaria para a sua idade. Mas é difícil diagnosticar, porque pode-se confundir com demência senil”, diz.

Já num caso clássico de AVC, os sintomas mais comuns são desmaio, perda da consciência, problema em sentir partes do corpo, como perna, braço ou pé, dificuldade para mover o corpo, um braço ou uma perna, indicando que aquela área do cérebro que coordena o corpo deve ter sido comprometida. “O mais comum é perda ou rebaixamento da consciência ou perda da sensibilidade ou da movimentação de partes do corpo. A pessoa fica muito sonolenta, para de falar de repente, não consegue movimentar ou sentir alguma parte do corpo, tudo isso são sinais visíveis”, afirma.

Existem ainda sintomas mais específicos que só o médico consegue observar, por exemplo a dilatação assimétrica das pupilas e sinais meníngeos (enrijecimento da coluna e pescoço).

O que fazer

Segundo a Rede Brasil AVC, rapidez no atendimento do paciente é crucial para reduzir a chance de sequelas graves e incapacitantes, já que a cada minuto sem tratamento são perdidos 1,9 milhão de neurônios. Trata-se de uma emergência médica. Se for do tipo isquêmico, a medicação para dissolver o coágulo pode ser aplicada até quatro horas e meia após o início dos sintomas, mas os resultados são melhores quanto mais rápido for utilizada.

Por isso, a recomendação é encaminhar a pessoa para um hospital ou pronto-socorro, se possível por meio de ambulância, para atendimento médico adequado. “Qualquer providência de uma pessoa leiga pode agravar o quadro. O AVC pode vir acompanhado da elevação da pressão arterial, mas pessoas que costumam tomar remédio para controle de pressão não devem tomar uma dose extra para tentar baixá-la”, recomenda Dr. Yoon. Se for necessário levar o paciente de carro ao hospital, evite deitá-lo no banco, porque pode ocorrer vômito, que se for aspirado para o pulmão pode causar pneumonia.

O tratamento do AVC, em geral, é voltado a reduzir o processo inflamatório cerebral, o que pode ser feito com medicamentos ou técnicas de ventilação, controlando a quantidade de oxigênio e gás carbônico que o cérebro recebe para fazer com que ele inche menos. Cirurgias para drenagem podem ser necessárias para remoção de hematomas (coágulos) cerebrais importantes nos AVC hemorrágicos, e nos casos de AVC isquêmico, a tentativa de desobstrução dos vasos sanguíneos. Outra técnica bastante utilizada é o coma induzido, importante para poupar o cérebro, já que quanto mais ativo ele estiver mais demandará oxigênio e sangue. Em dois ou três dias, se o sangramento tiver cessado ou o inchaço e a pressão dentro do crânio estiverem controlados, pode-se suspender os medicamentos que induzem o coma.

A vida após o AVC

As sequelas do acidente vascular cerebral dependem da localização e do grau de comprometimento do tecido neurológico. O tipo hemorrágico, apesar de mais grave durante a fase aguda e com sintomas mais intensos por causa do inchaço cerebral e pela compressão cerebral pelo hematoma, pode evoluir com menos sequelas e uma recuperação mais rápida se a intervenção médica for ágil e adequada. Mesmo no tipo isquêmico, as sequelas podem ser minimizadas se o paciente receber cuidados médicos a tempo.

A maioria das pessoas que sobrevivem ao AVC, porém, precisa de suporte e tratamentos de longo prazo. Como nunca se sabe qual o grau de comprometimento persistirá como sequela, é importante estimular o paciente o máximo possível para tentar recuperar a capacidade cerebral.

“Na Home Doctor, o programa de atenção domiciliar pode variar desde um programa de serviços pontuais, com atendimentos de fisioterapia, fonoterapia e treinamento do Cuidador Domiciliar até casos em que são necessários o uso de ventilação mecânica assistida e 24 horas diárias de assistência de enfermagem. Analisamos cada caso para estabelecer o programa de assistência mais adequado”, informa Dr. Yoon.

Segundo ele, o grande diferencial da Home Doctor é seu parque de equipamentos de ventilação próprio cuja manutenção é feita dentro da empresa. “Realizamos a manutenção preventiva e, no caso de qualquer problema ou falha, ao qual qualquer equipamento está sujeito, conseguimos fazer a substituição com mais agilidade. Não dependemos apenas de serviços terceirizados”, afirma.

Outro diferencial importante é que o Grupo Home Doctor possui empresa própria de emergências médicas e remoções, a GO! Emergências Médicas, com equipes médicas e ambulâncias UTI que podem ir até a casa do paciente para realizar uma avaliação pré-hospitalar. “Isso dá segurança e tranquilidade maior para nossos pacientes.”

Dr Yoon: ” Na Home Doctor analisamos cada caso para estabelecer um programa de assistência adequado”

 

 

 

 

 

 

 

“Dez passitos” da prevenção

A doença assusta, mas é prevenível, já que 90% dos AVCs estão ligados a 10 fatores de risco evitáveis, de acordo com a Rede Brasil AVC. Confira os “dez passitos” da prevenção, que foram divulgados na Campanha Nacional de Combate ao AVC 2017:

  • Controle a pressão alta;
  • Faça exercícios físicos moderados 5 vezes na semana;
  • Tenha uma dieta saudável e balanceada (mais frutas e verduras; menos sódio);
  • Reduza seu colesterol;
  • Mantenha seu peso adequado (evite a obesidade);
  • Pare de fumar e evite exposição passiva ao cigarro;
  • Reduza a ingestão de álcool (homens: 2 doses/dia, mulheres 1 dose/dia);
  • Identifique e trate a fibrilação atrial (arritmia cardíaca);
  • Reduza seu risco de diabetes, converse com seu médico;
  • Aprenda sobre o AVC;
  • https://www.youtube.com/watch?v=mogJ61cJjf8