Manter uma alimentação balanceada, exercícios físicos e hábitos de vida saudáveis são regras básicas para viver com saúde. Além disso, o acompanhamento médico é fundamental para prevenir e tratar doenças. Da infância à fase adulta, a avaliação médica associada a exames específicos, ou seja, à realização anual de check-ups programados de acordo com a faixa etária, complementa a rotina de quem olha para o futuro em busca de bem-estar.

Na infância, consultas ao pediatra e o cumprimento do calendário de vacinação são os primeiros passos. É no início da fase adulta, por volta dos 25 anos, que a medicina preventiva recomenda as primeiras avaliações gerais. O especialista em check-up do grupo Fleury Medicina e Saúde, Carlos Penatti, comenta que o brasileiro tem por hábito ir ao médico apenas quando apresenta uma queixa específica. “A mudança de hábito é decisiva para descobrir problemas crônicos, como diabetes e hipertensão, e doenças graves em fase inicial, o que facilita o tratamento e aumenta as chances de cura.”

Até os 40 anos, os exames de sangue mais indicados são o hemograma completo, a dosagem de glicemia, colesterol e triglicérides, entre outros para avaliar funções do fígado, rins e tireoide. Também são prescritos exames de urina, de imagem e teste ergométrico. Na categoria de imagem está, por exemplo, a ultrassonografia de abdome, conhecida como abdome total, que visualiza órgãos internos como fígado, vesícula biliar, pâncreas, rins e bexiga, e serve para identificar alterações. Para mulheres, é recomendada a ultrassonografia de mama, que ajuda a visualizar eventuais lesões. Depois dos 40 anos, começa a rotina de mamografias anuais, aliada fundamental na detecção precoce do câncer de mama.

A avaliação cardioneurovascular é necessária para homens e mulheres e inclui o controle da pressão arterial, rastreamento de fatores de risco a diabetes, possíveis alterações dos níveis de colesterol, quadro nutricional e controle da função renal. Exames mais detalhados nesse campo são indicados apenas a quem tem histórico familiar de doenças graves.

A partir dos 50 anos, o check-up inclui, para homens, o controle do PSA (antígeno prostático específico) – exame de sangue utilizado para pesquisar câncer de próstata – e o toque retal, também na mesma linha de pesquisa. Homens e mulheres devem fazer densitometria óssea para identificar perda de massa óssea, que leva à osteopenia e, mais grave, à osteoporose. Se não forem tratados a tempo, esses problemas comprometem seriamente a qualidade de vida de pessoas em idades mais avançadas.

 

A partir dos 50 anos

A colonoscopia – exame de imagem que investiga lesões nas paredes intestinais – também é recomendada para quem ultrapassou a faixa dos 50 anos. “O câncer de intestino é prevalente na população em geral, por isso a necessidade de rastreamento”, afirma o médico Carlos Penatti. Se não forem encontradas alterações como pólipos, prenúncios de tumor, a colonoscopia pode ser feita a cada cinco anos.

Ainda a partir dos 50 anos é chegada a hora de marcar consulta com o oftalmologista, mesmo para quem nunca precisou usar óculos. Em caso de registro de glaucoma na família, o controle deve ser feito desde a infância.

Avaliações dermatológicas devem ser feitas por homens e mulheres em qualquer faixa etária, dada a prevalência de casos de câncer de pele no Brasil. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pele não melanoma corresponde a 30% de todos os tumores malignos no país. A boa notícia é que apresenta altos percentuais de cura se for detectado e tratado precocemente.

O médico Carlos Penatti explica que o ciclo completo do check-up programado abrange o período de três anos. “O primeiro ano é de exames gerais, avaliação de hábitos e estilo de vida, além do histórico familiar. Se algum problema for identificado, o segundo ano será de tratamento e o terceiro, de controle.” Ele ressalta que pessoas assintomáticas, grupo que inclui homens e mulheres saudáveis e, também, aqueles que apresentam doenças em estágios iniciais, silenciosas, devem estar em dia com seus exames anuais.

Cabe ressaltar que a rotina de check-ups regulares programados ainda é incipiente no Brasil, porque a prática inclui consultas médicas, exames, diagnóstico e avaliações, além de orientação nutricional, o que não costuma fazer parte dos contratos firmados com empresas de medicina de grupo – salvo para contratos corporativos ainda restritos a altos executivos. Essa prática também não está prevista na agenda da rede pública de saúde.