Febre amarela reforça, neste Verão, a ameaça das doenças transmitidas por mosquitos

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De evolução rápida, com alto índice de letalidade (36,3%), a febre amarela ganhou as manchetes dos noticiários neste verão, levando milhares de pessoas a procurar a vacina. Após a aplicação, são necessários 10 dias para assegurar que a pessoa esteja imunizada.

A imunização ainda é a forma mais eficaz de prevenção e faz parte da estratégia das autoridades de saúde para evitar que a doença evolua da febre silvestre – transmitida nas áreas de mata pelos mosquitos Haemagogus ou Sabethes – para a febre urbana, quando é transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo mosquito que transmite a dengue, a chikungunya e a zika.

“Desde 1942, não há transmissão urbana de febre amarela no Brasil, apenas casos silvestres”, informa a infectologista Melissa Medeiros, consultora do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia. Todos os casos registrados até agora são silvestres. “Porém, o aumento da incidência de febre amarela é um alerta para o risco de reativação da transmissão urbana. Existe a possibilidade de uma pessoa contaminada pela febre amarela silvestre ir para a cidade durante o período de circulação viral no sangue (dois dias antes do início dos sintomas até cinco dias depois) e ser picada pelo Aedes aegypti, que se torna assim contaminado e é capaz de transmitir a febre amarela urbana”, explica a médica.

Como prevenir

A vacinação é a principal medida de controle da febre amarela. Mas nem todas as pessoas podem tomar a vacina – entre elas, crianças com menos de seis meses, pacientes imunodeprimidos por alguma doença ou tratamento (como a quimioterapia) e pessoas com alergia grave a ovo. A imunização de idosos deve ser avaliada caso a caso.

O que fazer, então, para prevenir essa e outras doenças que fazem parte do grupo das arboviroses? Veja as recomendações da infectologista Melissa Medeiros:

 

  • Usar repelente de insetos enquanto acordados. O produto deve ser aplicado em toda a área de pele exposta, respeitando os intervalos orientados pelo fabricante;
  • Proteger a maior extensão possível de pele por meio do uso de calça comprida, blusas de mangas compridas e sem decotes, meias e sapatos fechados. O uso de roupas claras facilita a identificação de mosquitos para que eles sejam mortos antes de picar;
  • Passar o maior tempo possível em ambientes refrigerados, com portas e janelas fechadas e/ou protegidas por telas com trama adequada para impedir a entrada de mosquitos;
  • Dormir sob mosquiteiros corretamente arrumados para não permitir a entrada de mosquitos. De preferência, dormir debaixo de mosquiteiros impregnados com permetrina;
  • Usar repelentes ambientais (sprays, pastilhas e líquidos em equipamentos elétricos) durante todo o tempo em que estiver em ambiente domiciliar ou de trabalho, inclusive à noite.

É fundamental, também, combater os focos de mosquitos, eliminando os criadouros, principalmente recipientes que possam armazenar água limpa e parada, como vasos e pneus.

Que repelente usar?

Os repelentes (ambientais ou de uso tópico) devem ter aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os mais recomendados, segundo a infectologista, são os que contêm DEET (N, N-Dietil-Meta-Toluamida), na concentração entre 25% e 50%, e os que contêm Icaridina (Hydroxyethylisobutylpiperidine-carboxylate), na concentração de 20% a 25%. Esses produtos têm maior duração de ação e, por isso, a reaplicação pode ser menos frequente. Podem ser usados, também, repelentes à base de IR3535 (Ethyl butylacetylaminopropionate).

Para o uso de repelentes em crianças, a Sociedade Brasileira de Dermatologia orienta:

  • Até seis meses de idade, não é recomendado o uso de repelentes;
  • De sete meses a 2 anos – Repelentes que contenham em suas fórmulas a substância IR3535, com duração de até quatro horas e aplicação uma vez ao dia;
  • Dos 2 aos 7 anos – Repelentes com IR3535 (duração de 4 horas), Icaridina 20% – 25% (duração de 10 horas); e DEET infantil 6% – 9% (com duração de 4 a 6 horas). Os produtos podem ser aplicados até duas vezes ao dia;
  • A partir dos 7 anos, podem ser utilizados esses três produtos, mas com aplicação três vezes ao dia.

Veja os cuidados que devem ser tomados:

  • Não usar repelentes debaixo das roupas;
  • Não passar nas mucosas;
  • Não usar aerossóis na face;
  • Nunca usar repelentes sobre cortes, feridas ou pele irritada;
  • O repelente deve ser aplicado 15 minutos após o uso de filtros solares, maquiagem ou hidratante.

O que fazer diante de sintomas

Os sintomas de febre amarela, dengue, zika e chikungunya são similares na fase inicial e nas formas brandas dessas infecções, como febre e dores articulares. Por isso, de acordo com a especialista, diante dos primeiros sintomas o correto é evitar automedicação e procurar atendimento médico para que seja realizado o diagnóstico e aplicado o tratamento adequado para cada caso. “O uso de medicações inadequadas podem agravar o quadro clínico”, alerta Melissa.

Segundo ela, os cuidados iniciais incluem repouso, hidratação oral e tratamento dos sintomas de cada paciente, como uso de medicações para febre, dor e vômitos. Como não existem medicações específicas para tratamento dos pacientes infectados por dengue, zika, chikungunya e febre amarela, o tratamento é sintomático.