Com quase 1.500 pacientes em atendimento e internação domiciliar, a Home Doctor supera grandes hospitais em número de leitos. A diferença é que os pacientes estão em suas próprias casas, junto com seus familiares, sob cuidados de uma equipe multidisciplinar, em que cada profissional tem seus papéis definidos, mas todos trabalham alinhados para fazer o melhor pela recuperação, sejam em casos pontuais ou doenças complexas.

Em geral, os pacientes em atendimento domiciliar são aqueles que apresentam quadros clínicos estáveis, não correm riscos de agravo e podem se adaptar à rotina da família. Os profissionais destacados em cada atendimento variam de acordo com a necessidade específicas de cada um.

Casos mais simples podem demandar, por exemplo, apenas cuidados de técnicos de enfermagem e fisioterapia para ajudar na reabilitação após uma cirurgia ou acidente. A maioria dos pacientes, porém, é de casos mais complexos, de doenças crônicas e incapacitantes, que exigem acompanhamento contínuo de uma equipe multidisciplinar que pode ser composta de médico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, enfermeiro e técnicos de enfermagem. Sempre que possível, o objetivo da atenção domiciliar é buscar a maior autonomia do paciente e de sua família até que seja viável a redução gradual do serviço e a alta definitiva e transferência do cuidado integral ao cuidador e à família.

Conheça abaixo um pouco das atividades envolvidas no dia a dia da atenção domiciliar e os profissionais que atuam no atendimento da Home Doctor:

Médicos

Seja clínico geral, para adultos, ou pediatra, o médico visitador é responsável pelo cuidado clínico do paciente em atenção domiciliar. “Acompanhamos a evolução do paciente, ajustamos a prescrição médica conforme as modificações clínicas e solicitamos exames quando necessário. Fazemos tudo o que seria feito num consultório ou hospital diretamente da residência”, diz a coordenadora médica Heloísa Gaspar.

Segundo ela, recebem a visita médica periódica todos os pacientes que apresentam doenças complexas, usam equipamentos de suporte ventilatório, têm necessidade de nutrição parenteral ou precisam de cuidados intensivos de enfermagem.

Heloísa explica que o atendimento domiciliar é mais complexo do que o realizado no hospital, por envolver questões que extrapolam os cuidados médicos. “O profissional tem de conduzir o caso da mesma forma como o faria em ambulatórios, consultórios e hospitais, mas precisa estar atento a detalhes específicos da atenção domiciliar, como segurança do domicílio, situações de insalubridade, respeito às rotinas previamente estabelecidas pela família, existência de outros moradores naquele domicílio, entre outros fatores”, afirma.

Na retaguarda dos médicos visitadores, há outros profissionais que atuam internamente, na central da Home Doctor. Os gestores médicos, por exemplo, são acionados para discussão pontual de casos sempre que necessário e também participam das reuniões multidisciplinares com os demais profissionais de saúde. São responsáveis ainda por manter contato com as operadoras de saúde sobre a condição clínica e programação de cada paciente.

Para emergências, a Home Doctor mantém médicos de plantão, 24 horas por dia, sete dias por semana. “Eles atendem intercorrências que podem ocorrer com o paciente em sua casa ao longo de sua internação domiciliar, evitando o deslocamento frequente para hospitais”, explica Heloísa.

E, completando a equipe de médicos, há aqueles profissionais que atuam na área de gestão da empresa, organizando protocolos institucionais, definindo produtos e equipamentos, desenvolvendo pesquisas clínicas, entre outras atividades.

Enfermeiros e técnicos

Quando o paciente é internado ou inicia o atendimento domiciliar, explica Catia, é importante deixar claro os direitos e deveres do paciente, orientá-lo quanto aos procedimentos e alimentação. “Quando necessário, fornecemos um treinamento para o cuidador e fazemos sugestões para adaptações na rotina, hábitos alimentares e horários da casa e até de mudanças de disposição de móveis para facilitar o atendimento”, diz.

O enfermeiro cuida também de curativos mais complexos e colocação e retirada de sondas e catéteres, além de funções de gestão de medicamentos/materiais e preenchimento de relatórios. “Todas as informações relevantes sobre o paciente, além de questões psicológicas e sociais são registradas no prontuário eletrônico e em papel, que fica na casa do paciente, e levadas para as reuniões multidisciplinares mensais”, informa Catia.

Nessas reuniões, todos os coordenadores multidisciplinares discutem a evolução dos pacientes e, se necessário, decidem ajustes no plano de atendimento, visando atingir os objetivos de curto, médio e longo prazo de cada paciente. Na maioria das vezes, esses objetivos estão ligados a estabilizar condições clínicas, evitar hospitalizações e reabilitação de funções e aí entram a fisioterapeuta e a nutricionista.

Já a equipe de técnicos de enfermagem pode ficar até 24 horas ao lado do paciente, em esquema de rodízio. Mas, ao contrário do que muitos pensam, é a frequência de procedimentos, e não a gravidade da doença, que determina a necessidade desse plantão permanente. “Seria inviável sua saída e retorno várias vezes ao longo do dia, como acontece num hospital. Já pacientes com quadros complexos e instáveis, com risco iminente e que necessitam de vigilância contínua, devem ser mantidos internados em hospital”, explica Catia.

É importante ainda destacar que o técnico de enfermagem realiza procedimentos técnicos, mas não substitui o cuidador, que é o responsável por auxiliar o paciente durante a alimentação, a higienização, a locomoção, a troca de roupas, entre outros momentos.

 

Fisioterapia

O atendimento em casa é muito cômodo e mais confortável, segundo a fisioterapeuta Viviane Guerra, principalmente em casos em que o paciente está debilitado e sem condições de se locomover até uma clínica especializada.

“Com a fisioterapia domiciliar, podemos iniciar sua reabilitação precocemente, buscando restabelecer as capacidades funcionais e gerar habilidades no paciente para que possa ter maior independência nas atividades da vida diária”, diz.

Com as próprias mãos ou com recursos que estiverem disponíveis, o fisioterapeuta trabalha musculaturas, articulações e movimentos para ajudar o paciente a se locomover dentro de casa com menos esforço e dentro de suas potencialidades. Além disso, a fisioterapia pode ajudar a reduzir a necessidade de hospitalizações de pacientes crônicos.

Segundo Viviane, existem diversas especialidades dentro da fisioterapia, com foco em ortopedia, neurologia, cardiorrespiratório, gerontologia, pediatria e oncologia, que permitem um cuidado de acordo com a necessidade de cada pessoa. O plano de atendimento é personalizado e definido com base em uma avaliação cinético-funcional para determinar a frequência das sessões. “O envolvimento da família é muito importante, pois podem ser necessárias algumas adaptações no cotidiano da casa e no próprio ambiente”, explica.

Nutricionista

Como acontece com qualquer pessoa, a alimentação adequada é outro aspecto primordial para a recuperação ou a manutenção da qualidade de vida de pacientes em atenção domiciliar. Nesse sentido, a nutricionista se encarrega de elaborar um diagnóstico do estado nutricional bastante criterioso para, então, fazer a prescrição da dieta do paciente que garanta as necessidades de calorias, macronutrientes e hidratação, respeitando ainda as individualidades do paciente e a realidade da família.

A nutricionista Letícia Trigo Monteiro explica que é fundamental um trabalho conjunto com a família e cuidador visando maior adesão ao tratamento. “Orientamos e monitoramos os procedimentos de preparo, manipulação, armazenamento, conservação e administração da dieta, considerando os hábitos e condições sociais da família para garantir a qualidade higiênico-sanitária”, afirma. 

Em geral, o serviço de nutrição em atenção domiciliar é indicado quando há risco nutricional ou estado nutricional comprometido, para pacientes que possuam vias alternativas de alimentação (sondas) e os que necessitam de dietas específicas por conta da doença de base, além de casos de mobilidade reduzida ou de pessoas impossibilitadas de sair de casa.

Segundo Letícia, o funcionamento do trato gastrintestinal e o peso são dois indicadores muito importantes para avaliar a evolução do paciente. Quadros de diarreia ou obstipação e refluxo gastroesofágico são situações que precisam ser observadas e tratadas de maneira eficaz, pois podem levar o paciente à hospitalização.

Para aqueles que não podem ficar em pé sobre a balança, foram desenvolvidas fórmulas de estimativas de peso com base nas medidas da avaliação antropométrica. “O peso é de suma importância para o cálculo das necessidades nutricionais e para verificar a evolução do estado nutricional do paciente e a eficácia da terapia nutricional”, explica Letícia.

Fonoaudiologia

Em Atenção Domiciliar, a maioria dos pacientes que requerem acompanhamento fonoaudiológico tem disfagia, uma dificuldade para mastigar e engolir alimentos que pode ocorrer em qualquer idade.  Segundo Priscilla Scaroni, coordenadora de Fonoaudiologia da Home Doctor e especialista em disfagia, essa dificuldade para ingerir – geralmente decorrente de problemas neurológicos – pode exigir a restrição temporária total ou parcial de alimentação pela boca.

Para segurança do paciente, opta-se por vias alternativas enquanto é realizado um plano terapêutico para reabilitar a capacidade de deglutição. Também nesses casos o preparo da família e do cuidador é muito importante em relação a como alimentar o paciente, sobre a consistência da comida, o que ele pode ou não pode comer e as manobras que ele pode ou não pode fazer. “Nos casos de disfagia, o cuidador tem um papel muito importante no sucesso do tratamento”, afirma Priscilla. Os pacientes costumam ser visitados uma ou duas vezes por semana.