Atenção domiciliar não deve ser vista como redução de custo, afirma executiva da ANS

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Os desafios na implantação do QUALISS (Programa de Qualificação dos Prestadores de Serviços de Saúde) foram apresentados pela coordenadora de Avaliação e Estímulo à Qualificação e Acreditação de Operadoras da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), Rosana Neves durante a 5ª edição do Fórum Home Doctor.

Em operação há dois anos para estimular a qualificação de prestadores de serviços de saúde (hospitais, clínicas, laboratórios e profissionais do setor), o programa visa também aumentar a disponibilidade de informações ao público pelo canal de internet da agência, ampliando o poder de avaliação e de escolha por parte dos beneficiários de planos de saúde e da sociedade em geral. A participação no programa QUALISS é voluntária.

“Além do QUALISS, temos diversos programas voltados à qualificação de prestadores de serviço e acreditação das operadoras. Eles são integrados para incentivar a melhoria da qualidade”, explicou Rosana. Ela deu detalhes sobre características e funcionamento do sistema, como a rede de programas integrados que captam e fornecem dados sobre acreditação e qualificação das operadoras de planos de saúde e o índice de desempenho dessas empresas. “Uma operadora que contrata um profissional qualificado, que possui uma acreditação, será mais bem pontuada em seu desempenho”, explica Rosana.

O QUALISS conta com um Comitê Técnico de Avaliação da Qualidade Setorial (COTAQ), que auxilia a ANS a estabelecer critérios de aferição e controle da qualidade da prestação de serviços na saúde suplementar. A ANS também mantém parcerias com entidades participantes, que contribuem não só na elaboração de critérios como na coleta e consolidação de dados do QUALISS. Entre elas, estão a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), nove instituições acreditadoras e pelo menos 16 conselhos profissionais regionais.

Canais de comunicação

A palestrante explicou ainda que as operadoras de planos de saúde devem disponibilizar em seus canais de comunicação (como o portal na internet e o livreto que é entregue aos beneficiários) informações sobre os atributos de qualificação dos prestadores que compõem sua rede assistencial. “Esses atributos podem ser, por exemplo, a realização de mestrado, doutorado, cursos de especialização, pós-graduação lato sensu e residência médica, entre outros.”

O setor de atenção domiciliar foi citado, durante a palestra, como um dos desafios que a ANS identificou para a melhoria da qualidade de atendimento por parte das operadoras de planos de saúde. Segundo Rosana, a atenção domiciliar precisa ser vista mais como um dispositivo de transição de cuidado, como recurso complementar, e não deve ser considerada uma forma de redução de custos ou de abreviação de internação hospitalar. Ela explica que atenção domiciliar é uma maneira de otimizar recursos, promover a qualidade da assistência e oferecer melhor experiência do paciente. “É algo mais amplo do que home care”, afirmou.

Editora Conteúdo/Abgail Cardoso