A adequação e a implantação de indicadores integrados na atenção domiciliar foram temas da palestra de Vitor Augusto França, coordenador do Núcleo de Estudos e Análises da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP), no Fórum Home Doctor.

A associação obtém indicadores periódicos e organizados sobre o desempenho financeiro, operacional e de recursos humanos das instituições associadas, por meio de um sistema denominado SINHA – Sistema Integrado de Indicadores Hospitalares ANAHP.

“É importante debater questões relacionadas à atenção domiciliar, porque esse é um tema que ganha cada vez mais relevância, até mesmo para a rede hospitalar, a partir de mudanças demográficas, com mais idosos entre a população e, consequentemente, mais doenças crônicas a serem tratadas”, afirmou França. “O ritmo de crescimento dos grupos de pessoas com mais de 65 anos tem aumentado de forma acelerada, em nível mundial”, enfatiza. Nessa faixa etária, as pessoas utilizam mais os serviços de saúde, sobretudo hospitais, e o tempo de internação é mais longo.

Dados extraídos da base de associados da ANAHP mostram que:

  • de 0 a 14 anos, a média de permanência em internações hospitalares é de 5,1 dias;
  • A partir dessa idade há uma redução da média, que volta a subir na faixa dos 60 aos 74 anos para 5,7 dias;
  • Acima de 75 anos, a média é de 9,3 dias. 

“Há uma correlação direta entre a média de permanência em hospital e os gastos para todo o sistema de saúde”, disse França. “Quanto mais tempo de internação hospitalar, maior o gasto para o sistema, indicando a necessidade urgente de racionalização dos recursos utilizados. A atenção domiciliar viabiliza uma rotina de cuidados e a reabilitação de pacientes que já estão estáveis”.

Segundo França, o SINHA é o único sistema de benchmark mensal disponível no Brasil, em que os hospitais conseguem imputar dados financeiros, assistenciais, de gestão de pessoas e de sustentabilidade. Desde o ano passado, dados de assistência domiciliar e de tecnologia da informação também estão disponíveis no SINHA. O sistema consolida os indicadores e é possível comparar um hospital com a média de mercado e com hospitais do mesmo porte, para buscar ações de aproximação com o benchmark e melhorar o desempenho.

Gastos sustentáveis

A ANAHP dispõe de grupos de trabalho para debater os indicadores. São mais de 300 variáveis que resultam em mais de 200 indicadores, entre assistenciais, financeiros, de gestão de pessoas, sustentabilidade, atenção domiciliar e tecnologia da informação. O acesso aos dados está disponível na revista anual Observatório, publicada pela ANAHP. “Dessa forma, ajudamos não só os hospitais associados, mas todos os agentes que atuam no setor e queiram fazer seus exercícios de benchmark e gestão”, disse França.

Outra análise que pode ser feita a partir dos dados extraídos do SINHA é até que ponto os gastos crescentes com saúde são sustentáveis. O executivo da ANAHP explicou que esses gastos são consideráveis quando comparados com outros países. Os dados mostram que quanto maior a proporção de idosos acima de 65 anos na população, ou quanto maior a média de idade da população, maior tende a ser o gasto com saúde.

“O Brasil gasta mais de 9% do PIB com saúde, numa população relativamente jovem. Em 2017, 8% da população brasileira tinha mais de 65 anos. Em 2040, esse percentual vai mais que dobrar, chegando a 18%. Em 2060, chegará a 27%. Esse é, mais ou menos, o cenário do Japão de hoje, que gasta em torno de 11% do PIB com saúde”, observou França.

Editora Conteúdo/Abgail Cardoso