Certificado como área livre de circulação do poliovírus desde 1990 e do vírus do sarampo desde 2016, pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o Brasil vive momento de grande preocupação. Dos mais de 2,4 mil casos de sarampo ocorridos nas Américas, até 20 de julho, o país está em segundo lugar, com 677 casos.

No Brasil, os surtos foram causados pelo vírus D8 e estão localizados no Amazonas e em Roraima, vizinhos à Venezuela, país que registra o maior número de casos (1.613). Mas também foram confirmados casos – considerados isolados e relacionados à importação no:

  • Rio Grande do Sul (8)
  • Rio de Janeiro (7)
  • em Rondônia (1)
  • em São Paulo (1)

De acordo com a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues, a vacinação é a forma mais eficaz de manter o país livre de doenças já eliminadas e erradicadas.

Diante do risco de propagação da doença e para evitar a volta da pólio em razão da baixa cobertura vacinal, o Ministério da Saúde realiza, de 6 a 31 de agosto, a Campanha Nacional contra a Poliomielite e o Sarampo, com o chamado Dia D de Mobilização marcado para 18 de agosto. Todas as crianças com idade entre 1 e 5 anos devem ser levadas aos postos de saúde – mesmo que já tenham sido imunizadas anteriormente.

O risco de reintrodução dessas doenças levou à união de três sociedades médicas num manifesto em favor da vacinação. Em parceria com o Rotary Internacional, as Sociedades Brasileiras de Pediatria (SBP), Imunizações (SBIm) e Infectologia (SBI) alertaram, em evento no Hospital Emílio Ribas (SP), em 26 de julho, para a real possibilidade de retorno da poliomielite e do sarampo.

Doenças graves, mas preveníveis

Altamente transmissível, o sarampo está se propagando em alta velocidade. Em abril, segundo a OPAS, foram confirmados 385 casos nas Américas. A doença pode causar graves problemas de saúde, como pneumonia, cegueira, inflamação do cérebro e até mesmo a morte. Se houver transmissão do vírus do sarampo por 12 meses dentro do território nacional, o Brasil perde o certificado internacional de eliminação da doença.

Já a preocupação com a poliomielite, que não é registrada desde 1989 no Brasil, acontece em razão da baixa cobertura vacinal, que está em 78%, enquanto a meta é vacinar 95%.

Você sabia?

O Ministério da Saúde oferta todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no Calendário Nacional de Vacinação. Atualmente, são disponibilizadas pela rede pública de saúde de todo o país cerca de 300 milhões de doses de imunobiológicos ao ano. São 19 vacinas para combater mais de 20 doenças, em diversas faixas etárias.

Editora Conteúdo/Abgail Cardoso