Inca esclarece informações falsas que podem prejudicar o tratamento de pacientes

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A moda das dietas restritivas que limitam o consumo calórico e eliminam alguns tipos de alimentos, chegou aos pacientes com câncer. Cada vez mais, pessoas que lutam contra a doença são bombardeadas com informações sobre alimentos que melhoram ou pioram o tratamento e a prevenção de novos tumores. Para trazer esclarecimento sobre o assunto, um grupo de especialistas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) elaborou uma cartilha para ajudar pacientes a descobrir o que é verdade e o que é mentira quando o assunto é alimentação e câncer. O documento foi publicado em janeiro de 2019 (https://www.inca.gov.br/publicacoes/cartilhas/dietas-restritivas-e-alimentos-milagrosos-durante-o-tratamento-do-cancer-fique). Confira abaixo:

  1. “Carboidratos alimentam o tumor”

Todo carboidrato que comemos – seja o do pãozinho francês, seja o do arroz integral – viram glicose. A função da glicose é fornecer energia para as células do nosso organismo funcionarem – inclusive as malignas. Mas isso não significa que tirar o ingrediente do cardápio seja uma solução. O melhor jeito de consumir carboidratos durante o tratamento é priorizar aqueles que vêm de alimentos frescos, como frutas, verduras, grãos e cereais. O que você deve cortar são os itens repletos de açúcar e pobres em nutrientes – caso dos salgadinhos, biscoitos recheados e outros produtos processados.

  1. “Sua quimioterapia não vai funcionar se você comer carboidratos”

Segundo o documento apresentado pelo Inca, alguns estudos feitos com amostras celulares e animais apontam que a restrição de glicose pode reduzir o crescimento de tumores. O que não quer dizer que esses achados são verdadeiros – eles precisam ser validados em pesquisas feitas com pessoas. “Até o momento, não existem evidências científicas suficientes que confirmem que cortar carboidratos ajuda a ‘matar o tumor’ em humanos”, diz o texto da cartilha.

  1. “Proteína animal deve ser cortada, porque alimenta o tumor”

Outra afirmação que não tem fundamento. As proteínas são essenciais para a formação de novas células, além de participarem do transporte de substâncias no sangue, da produção de hormônios e, claro, da construção dos músculos – que, como já vimos, são importantíssimos para quem busca se curar de um câncer.

O tratamento da doença propicia a perda muscular, o que pode não só piorar a reação aos remédios, mas também limitar outras atividades do dia a dia do paciente. Sem músculos saudáveis, podem surgir problemas para sentar, levantar, caminhar, por exemplo.

Para garantir o aporte necessário, vale pedir orientações a um nutricionista. As proteínas podem ser tanto vegetais quanto de origem animal. No primeiro caso, você as encontra nas leguminosas (feijão, grão-de-bico, lentilha, ervilha) e nas castanhas. Mas elas também estão nas carnes e em ovos, queijos, leite.

  1. “Cogumelo-do-sol, noni, graviola, chá de graviola, chá-verde curam o câncer”

O documento do Inca é categórico: “não existem alimentos que, milagrosamente, curam o câncer”. O que existem são evidências de que uma alimentação balanceada, natural e diversificada garante uma boa saúde, prevenindo, entre outras coisas, o câncer. Mas, ainda assim, há muitos outros fatores em jogo, como herança genética, estilo de vida e hábitos como o tabagismo.

Fonte: Inca