Nos dias de sol crianças também precisam de óculos escuros com lentes de proteção

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Mais do que uma brincadeira ou um charme na hora das fotos, os óculos escuros devem fazer parte dos acessórios de segurança da criança. Seu principal objetivo é proteger os olhos de radiações nocivas como as ultravioletas (UVA, UVB e UVC), cujos efeitos são cumulativos.

Segundo a oftalmologista Luciana Peixoto Finamor, o cristalino, a nossa lente natural, funciona como um filtro da luz. Na criança, o cristalino é mais transparente e filtra menos as radiações do Sol, assim mais radiação penetra no olho e chega à retina. Estima-se que 75% da radiação que chega à retina ocorra antes dos 10 anos de idade e apenas 10%, depois dos 25 anos. Em outras palavras, a idade de maior exposição é a que, geralmente, tem menor proteção.

O que pode acontecer?

As lesões relacionadas com a radiação UV podem ser imediatas, como queimadura das pálpebras e queimadura da córnea, a chamada fotoceratite. O maior problema, porém, é o efeito cumulativo da radiação, que pode se manifestar tardiamente. Alterações da transparência do cristalino, favorecendo o aparecimento da catarata, e a degeneração macular relacionada à idade (doença que atinge a porção mais central da retina, podendo causar cegueira) provavelmente têm na sua fisiopatogenia a exposição UV ao longo da vida. O pterígio, uma membrana irregular e elevada na superfície do olho, também está associado à exposição solar crônica.

O que fazer?

O ideal é introduzir os óculos escuros na rotina das crianças, especialmente nos períodos do dia em que a radiação é mais intensa, entre 10 e 15 horas, e nos locais de maior exposição, como as grandes altitudes, na região de montanhas, ou grandes superfícies refletoras, como áreas extensas de água ou de neve.

Na hora de escolher os óculos de sol, o critério principal é a qualidade das lentes. Elas devem filtrar de 99% a 100% da radiação ultravioleta. De acordo com Luciana Finamor, as lentes devem ser de boa qualidade óptica para evitar a distorção das imagens. Devem ser feitas de material resistente, de preferência o policarbonato ou trivex.

A cor das lentes é uma questão de gosto. Elas devem proporcionar conforto na presença da luz e não podem ser muito escuras para não modificar as cores naturais dos objetos ou prejudicar a acuidade visual. A intensidade da cor não tem nada a ver com a capacidade de filtrar a radiação. Em outras palavras: óculos mais escuros não garantem maior proteção e podem até ser prejudiciais caso não tenham a proteção UV! Como se trata de criança, a armação deve ser robusta e livre de bordas que possam provocar lesões em casos de traumatismos e quedas.

Editora Conteúdo/Abgail Cardoso