Saiba diferenciar Alzheimer de outras doenças mentais

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Quem já não esqueceu onde deixou os óculos ou a chave do carro? Quem já não queimou a comida na panela ou esqueceu o que ia pegar na geladeira? Nem sempre esses esquecimentos são um sinal de doença.

“Atualmente, temos uma vida agitada, realizamos diversas atividades ao mesmo tempo e, com pressa, ficamos com a sensação de que estamos esquecidos. Mas existem casos que precisam de atenção e tratamento, porque com a idade podem surgir demências”, diz a dra. Elisângela Chaves, da Home Doctor.

As pessoas costumam relacionar casos de esquecimento com doença de Alzheimer, mas esse é apenas um dos tipos de demência. A dra. Elisângela explica que demência é uma doença mental em que ocorre declínio progressivo da capacidade intelectual do indivíduo. Na prática, o paciente perde a capacidade de memorizar e de resolver os problemas do dia a dia. Há uma desorientação no tempo e espaço, bem como dificuldades de linguagem, que interferem na funcionalidade do indivíduo e o tornam incapaz de realizar atividades que até então executava sozinho.

Segundo a dra. Elisângela, na fase tardia ou avançada da demência, em que a pessoa se encontra totalmente dependente para as atividades básicas de vida diária (como alimentação e banho), surgem as complicações que podem levar o paciente ao óbito e, por segurança, ele precisa de cuidados especiais, como os serviços de atenção domiciliar da Home Doctor.

“Nessa fase, é importante evitar os acidentes e quedas que podem causar traumatismos cranianos. É preciso ficar atento quanto à dificuldade de deglutição, que pode ocasionar broncoaspiração e desnutrição do paciente. Importante também avaliar se é necessário o uso de dispositivos de alimentação, como sonda nasoenteral ou gastrostomia”, observa a médica. Além disso, se o paciente fica acamado, aumenta o risco de úlceras por pressão e infecções como pneumonia e infecção urinária.

“Quanto maior forem os cuidados fornecidos pela família, muitas vezes com auxílio multiprofissional de nutricionista, fonoaudióloga e fisioterapia, maior costuma ser a qualidade e o tempo de sobrevida destes pacientes”, afirma dra. Elisângela.

Tipos de demência

Reversíveis – Existem aquelas que, embora tragam um comprometimento cognitivo, podem ser reversíveis e, quando tratadas, há melhora dos sintomas. Essas podem ser causadas por deficiência de vitamina B12 e ácido fólico; alterações metabólicas (doenças da tireoide, hepáticas e renais). Quadros de depressão, doenças cerebrais como tumores, hidrocefalia e hematomas também podem ser algumas das causas.

Irreversíveis – Também chamadas de degenerativas, são incuráveis e apresentam piora progressiva. A mais comum é a demência de Alzheimer. Mas existem outras: a demência vascular, causada por infartos cerebrais; a demência por corpúsculos de Lewy, causada pela presença de alterações cerebrais chamadas de corpos de Lewy; a demência frontotemporal, que é caracterizada por deterioração na personalidade e na cognição em decorrência da redução da região frontal e temporal do cérebro; a demência na doença de Parkinson, que ocorre, geralmente, na fase mais avançada da doença.

Prevenção

A dra. Elisângela explica que a prevenção das demências ocorre com o controle dos fatores de risco. Os principais são idade acima 65 anos, baixa escolaridade, hipertensão, diabetes, tabagismo e sedentarismo. “Para diminuir o risco ou retardar o aparecimento dos sintomas, a orientação é realizar atividades de estímulo cerebral como leitura, trabalhos manuais, atividade física, tocar instrumentos musicais e ter vida social ativa”, afirma.

Segundo a médica, é importante saber que a demência de Alzheimer não é hereditária, no entanto os casos com início dos sintomas antes dos 65 anos podem estar associados com alterações genéticas, aumentando o risco dos familiares.

Diagnóstico

Em geral, o diagnóstico das demências é baseado nas informações que a família traz ao médico, relacionadas com perdas cognitivas e da funcionalidade. São feitos testes neuropsicológicos que auxiliam na avaliação clínica e podem ser pedidos exames laboratoriais e de neuroimagem (tomografia ou ressonância de crânio) para avaliação de outras causas que possam interferir na memória, como as demências potencialmente reversíveis.

“Em relação à demência na doença de Alzheimer, já existem alguns avanços diagnósticos, como análise de biomarcadores no líquor. Porém, até o momento, essa análise está restrita a pesquisas científicas e não tem sido indicada na prática clínica”, explica dra. Elisângela.

Segundo ela, a recomendação é que, diante dos primeiros sinais, as famílias procurem o médico para que seja feito o diagnóstico precoce a fim de preservar ao máximo as capacidades intelectuais e qualidade de vida do paciente.

Tratamento

A demência é incurável, mas o tratamento com medicações específicas pode retardar a progressão da doença, permitindo que o paciente se mantenha independente nas atividades da vida diária por mais tempo. A terapia não farmacológica com estímulos cognitivos, sociais e de atividade física também é indicada no tratamento.

Editora Conteúdo/Abgail Cardoso