De acordo com pesquisadora a sepse precisa ser uma doença conhecida

530

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Latino-Americano de Sepse, em conjunto com o DataFolha, com 2.100 pessoas de 130 municípios, indica que apenas 14% dos brasileiros já ouviram falar o termo sepse, mas 90% conhecem o termo infarto agudo do miocárdio e seus sintomas.

Nesta entrevista ao Portal HD News, a Dra. Daniela Carla de Souza, membro da Comissão Científica do Fórum de Sepse do Instituto Latino-Americano de Sepse (ILAS), fala sobre a importância de tornar a doença popular e de outros desafios.

 Portal HD News – As redes de saúde no Brasil estão preparadas para reconhecer e tratar a sepse?

Daniela Carla de Souza – Um grande problema em relação à sepse é que ela não tem um biomarcador (um exame padrão ouro para fazer o diagnóstico), como o infarto agudo do miocárdio, que tem a troponina como marcador diagnóstico. Além disso, a síndrome tem apresentação clínica inespecífica e variada. A sepse, ainda hoje, é um desafio. Posso dizer que as redes de saúde no Brasil não estão preparadas para reconhecer e tratar a sepse prontamente.

 Portal HD News – Por que é importante o reconhecimento imediato da doença?

Daniela Carla de Souza – O desconhecimento da sepse atrasa o diagnóstico e o tratamento, e piora o prognóstico. Há estudos que demonstram que o conhecimento dos profissionais de saúde em relação à sepse é deficitário. A doença também é desconhecida do público leigo. Eu brinco que a sepse não é popular. Quanto aos profissionais de saúde, a popularização da sepse só é possível por meio de educação. Eu falo que diagnosticar a sepse é mais difícil do que tratar.

Portal HD News – Por que é importante tornar a doença conhecida?

Daniela Carla de Souza – Uma pesquisa quantitativa aleatória realizada pelo ILAS/Data Folha em 2017, em cerca de 130 municípios, com 2.100 pessoas, mostrou que, no Brasil, apenas 14% dos entrevistados responderam já ter ouvido o termo sepse. Na Alemanha, 49% dos entrevistados relataram já ter ouvido esse termo. Quando perguntados em relação a infarto agudo do miocárdio, mais de 90% relataram já ter ouvido o termo e sabiam os sintomas. Um de nossos desafios é tornar a sepse popular, ou seja, conhecida do público leigo e dos profissionais de saúde.

Portal HD News – O que vem sendo feito nesse sentido?

Daniela Carla de Souza – Alguns países vêm trabalhando nisso. Entidades no mundo todo (Global Sepsis Alliance, ILAS, entre outras) trabalham arduamente para melhorar o conhecimento da doença, tanto entre profissionais de saúde quanto entre o público leigo. Muitas entidades distribuem cartilhas com o objetivo de facilitar o reconhecimento e a conscientização em relação à sepse.

Portal HD News – Quais outros desafios nessa área?

Daniela Carla de Souza – Um dos principais é conhecer a real epidemiologia da sepse para, a partir daí, estabelecer medidas específicas para melhorar a evolução da síndrome.

Editora Conteúdo/Abgail Cardoso