Coronavírus: como preservar a saúde mental durante a pandemia

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Organização Mundial da Saúde (OMS) publica documento que ensina a preservar o bem-estar diante do pânico gerado pelo aumento de casos do novo coronavírus

As epidemias costumam provocar um pânico generalizado na população, principalmente quando não se tem total conhecimento sobre a doença — é o caso da infecção pelo novo coronavírus. Esse tipo de situação pode abalar a saúde mental, causando estresse e ansiedade.

Por isso a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou orientações para preservar o bem-estar durante a pandemia. Os recados vão desde as atitudes que devemos ter com outros até maneiras de explicar a situação para crianças. Seguir essas dicas ajuda indiretamente na prevenção, porque o risco de tomar atitudes sem embasamento científico diminui se você estiver melhor informado.

Veja alguns pontos do documento:

Evite o bombardeio de informações

A todo momento surge um dado novo sobre casos confirmados do coronavírus, o que leva os noticiários a lotarem sua programação de reportagens. Apesar de ser importante procurar conhecimento, o fluxo constante de notícias gera preocupação e estresse.

Sentiu que os sites e jornais estão te deixando ansioso? Tente se informar em momentos específicos, de uma a duas vezes ao longo do dia. E foque naquilo que ajudará a tomar atitudes práticas para prevenção. E, claro, consulte apenas fontes confiáveis para não cair em fake news.

Oriente as crianças e ensine a lidar com as emoções

Os pequenos precisam ficar cientes do que está acontecendo, especialmente, se há alguém infectado em casa. Ao perceber que os pais estão estressados e ansiosos, eles reproduzem esse comportamento e acabam buscando mais apego ou sendo mais exigentes com os adultos.

Dê uma explicação condizente com a faixa etária deles e mantenha a rotina o mais normal possível. Se seus filhos demonstrarem preocupação, ajude-os a gerenciar suas emoções e a aliviar a ansiedade.

Tenha paciência com os idosos

Essa é uma dica crucial, visto que os mais velhos são a principal população de risco para sofrer complicações da Covid-19. Ofereça recomendações claras sobre a prevenção da enfermidade e as repita quantas vezes for necessário, sempre de forma calma e respeitosa.

É bom lembrar que as pessoas que estão isoladas em casa ou no hospital têm maior probabilidade de se tornarem ansiosas, irritadas, estressadas e agitadas — sobretudo idosos com declínio cognitivo e demência. Nessa hora, todo apoio emocional e prático é bem-vindo, seja da família, seja de profissionais da saúde.

Cuidados com pessoas isoladas

Se porventura você precisar ficar em casa ou no hospital, tenha cautela com as notícias sensacionalistas e conserve o que for possível das suas atividades diárias. Apesar do isolamento físico, comunique-se com seus familiares e amigos por internet e telefone.

Nos períodos de maior estresse, foque nas suas necessidades e envolva-se em atividades que goste e que sejam relaxantes.

Lembre-se que as autoridades de saúde pública e especialistas do mundo todo estão trabalhando continuamente para garantir os melhores cuidados aos afetados.

Não seja preconceituoso

Desde a descoberta do Sars-Cov-2, várias pessoas relataram situações de discriminação pelo fato de o surto ter surgido na China. Acontece que ele é capaz de contagiar gente do mundo todo. No nosso país, inclusive, o primeiro afetado foi um brasileiro que voltou de viagem da Itália.

Portanto, não ataque ninguém de etnias e nacionalidades diferentes da sua, estejam elas infectadas ou não.

Não rotule os indivíduos atingidos

A OMS defende que se referir a um paciente como “caso de coronavírus” ou à sua família como “família Covid-19” é uma forma de desumanizá-las em uma situação difícil. Não esqueça que, após a melhora, a vida deles continuará normalmente.

Em vez disso, procure usar termos como pessoas “que têm Covid-19”, “em tratamento contra a Covid-19” e “se recuperando da Covid-19”.

Texto adaptado de: https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/coronavirus-saude-mental-pandemia/