O futuro da saúde está em casa?

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Por Dr. Cláudio Flauzino, diretor executivo da Home Doctor

O COVID-19, antes mesmo do ápice no número de casos confirmados, impôs mudanças drásticas e rápidas na vida de milhares de pessoas. Hospitais tiveram suas estruturas esgotadas, incapazes de absorverem a demanda cada vez maior de pacientes. Em um espaço curto de tempo, autoridades políticas e da área da saúde tinham como grande missão frear o avanço do contágio, mobilizando empresas para conseguirem em tempo recorde disponibilizar imunizantes para a população.

A Atenção Domiciliar se mostrou imprescindível para a desocupação de leitos durante os períodos mais críticos da pandemia. À medida que hospitais desospitalizavam pacientes de diferentes patologias que tinham condições seguras de manter seu tratamento em casa, novos leitos ficavam disponíveis para receber pacientes mais críticos e que necessitavam muitas vezes utilizar equipamentos específicos como aparelhos de respiração artificial. Somado a isso, o fato do paciente estar em casa contribuía para a diminuição do risco em contrair COVID-19, estando em um ambiente mais controlado e estável.

A situação proporcionou que um número maior de pessoas passasse a ter conhecimento sobre os serviços e os benefícios que a Atenção Domiciliar pode oferecer. A possibilidade de receber tratamento médico em casa, sob os cuidados e companhia de familiares contribuem bastante para a melhora clínica do paciente.

Neste cenário, operadoras de planos de saúde criaram ou ampliaram programas de desospitalização e secretarias de saúde ampliaram o número de beneficiários do programa Melhor em Casa.

O crescimento da Atenção Domiciliar no mundo

Mesmo antes da pandemia, o país já vinha registrando um aumento do número de empresas de Atenção Domiciliar. A pandemia fortaleceu ainda mais o conceito do tratamento domiciliar, com segurança para o paciente, menores índices de infecção e maior proteção clínica e social.

O Núcleo Nacional das Empresas de Serviço de Atenção Domiciliar (NEAD) realizou recentemente um censo, em parceria com a FIPE – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, que mapeou aspectos importantes da área. O número de estabelecimentos de atendimento domiciliar saltou de 676, em junho de 2018, para 830 em dezembro de 2019, representando um aumento de 22,8%.

De forma geral, houve um crescimento no número de empresas, a maior parte delas se concentrando na região Sudeste, com uma participação de 41,5%. O número de pacientes em Assistência Domiciliar e Internação Domiciliar em 2019 foi de 292 mil.

O setor de Atenção Domiciliar corresponde a ocupação de 20.763 leitos hospitalares e, portanto, caso os serviços fossem encerrados, essa seria a quantidade de leitos adicionais necessária por ano, que seria equivalente ao total de leitos públicos e privados do estado de Pernambuco.

A Home Doctor registrou crescimento de 30% no número de pacientes em atendimento desde o início de 2020. Este aumento verificou-se não apenas pela inclusão de pacientes com COVID, mas também alcançou casos de outras condições médicas, que puderam ser tratadas com sucesso em casa.

Cenário pós-covid-19: inovação e tecnologia como necessidades contínuas

 O cenário pandêmico exigiu de empresas da área da saúde como um todo – e em nosso caso particular, a Atenção Domiciliar – o uso imediato de tecnologia e inovação em seus produtos e serviços. Houve uma aceleração de soluções nos sistemas de saúde, que antes pareciam impossíveis de serem postas em prática em um curto espaço de tempo.

Na Home Doctor, o emprego da telemedicina ocorre nas consultas de rotina e também nas ambulâncias que se deslocam até o domicílio do paciente para um atendimento de emergência, permitindo que o médico já inicie o atendimento antes mesmo de chegar ao domicílio. Outras ferramentas tecnológicas, como aplicativos, chatbot e novos softwares também foram implantados para facilitar e agilizar nosso atendimento.

O futuro aponta um cenário bem promissor e tecnológico para o setor da Atenção Domiciliar. Em uma reportagem recente da revista Forbes, Ashish V. Shah, CEO da Dina, uma plataforma de cuidados em domicílio, apresentou quatro oportunidades para o futuro da área. A primeira delas é de que os hospitais ficarão cada vez mais restritos a realização de procedimentos complexos (serviços de UTI, cirurgias). Haverá ainda a possibilidade de que, com o avanço da tecnologia, doenças agudas possam ser tratadas em domicílio. Em seguida ele aponta a continuidade do serviço de telemedicina, apresentando maior expansão e permitindo o monitoramento remoto do paciente. E por último a promoção de segmentos dentro dos serviços de saúde, focados em oferecer produtos e serviços baseados em dados obtidos através da monitoração de pacientes, e, portanto, capazes de oferecer soluções customizadas mediante às suas necessidades.

A tendência, após a pandemia, é que a Atenção Domiciliar – com a visibilidade alcançada -continue crescendo confirmando que essa modalidade de atendimento veio para ficar. O grande desafio para nós é ter a certeza de que a demanda por inovação e tecnologia crescerá ainda mais, fazendo com que sejamos constantemente instigados a criar soluções, cada vez mais customizadas atendendo aos anseios e necessidades de nossos pacientes.

Fonte de dados:

1 –  https://www.forbes.com/sites/forbestechcouncil/2021/06/14/where-hospital-at-home-programs-are-heading-after-last-years-boom/?sh=dad846d77336

2 – https://www.ledauphine.com/sante/2021/04/18/l-hospitalisation-a-domicile-pour-des-milliers-de-patients-francais

3 – https://www.fnehad.fr/2021/02/03/interview-olivier-veran-lentretien-est-en-ligne/